“só sei que nada sei”

Sócrates

A frase que nos vinha à cabeça enquanto caminhávamos um destes dias pela Quinta de Covela, guiados pelo nosso cicerone Vitor Mendes. É que, pese embora tudo o que já tinhamos lido na imprensa, conhecíamos de provas ou devêssemos imaginar pela região em que se situa, não chegávamos a ter a noção da frescura e da majestosa, mas simples, beleza da Covela. Foi um ADN de muita história e de uma paisagem exuberante que descobrimos enquanto passeávamos pelas vinhas, hortas e pomares que fazem parte dos 34 hectares desta propriedade que se situa entre o Douro e o Minho, na fronteira entre a zona granítica da região dos Vinhos Verdes e a zona de xisto dos Vinhos do Douro.

Com uma forma topográfica em anfiteatro exposto a sul, e um micro-clima quase mediterrânico, como dizem os próprios sobre o seu terroir, foram francamente favorecidos pela natureza!

Vale a pena conhecer a sua História: “A antiga Casa de Covela, é datada do Século XVI, e é formada pelas ruínas do Solar Renascentista, pelos lagares e a capela, testemunhos da presença multisecular da produção de vinho. Em tempos mais recentes, pertenceu a Manoel de Oliveira, o cineasta português que transformou a Quinta em várias frentes, construindo aqueductos, muros maciços, casas de pedra e eiras de granito para secar o milho aqui cultivado. No final dos anos 80, a quinta foi adquirida pelo empresário Nuno Araújo, que investiu nas vinhas e nos vinhos e criou a marca Covela. Ganhou notoriedade para a marca, e em 2007 conquistou o estatuto de produtor biodinâmico.”

Face aos momentos difíceis que viveu por altura da crise imobiliária de 2008, em 2011 chega a leilão e é adquirida pelos actuais proprietários, o brasileiro Marcelo Lima e o inglês Tony Smith, empresários, amigos, investidores, enófilos, de ramos diferentes de actividade mas com um desejo em comum, o de produzir vinho em Portugal. Readmitiram a mesma equipa de colaboradores, incluindo os antigos trabalhadores da região e o enólogo Rui Cunha, tendo sempre como objectivo manter a história e as características dos seus vinhos.

A nossa caminhada acabou no átrio, onde fizemos uma prova com vista para as vinhas, e nem imaginávamos de forma diferente…

Foram estes, entre outras curiosidades, os vinhos que marcaram a tarde:

. o Avesso, vinho da casa famoso por reflectir muito deste terroir de transição;
. O Covela Escolha branco 2013;
. O Covela Escolha tinto 2005 e o 2012.

A nós se juntou o co-proprietário Tony Smith, que vive na Quinta, e teve a simpatia de dispôr um pouco do seu  tempo para nos vir cumprimentar e falar um pouco sobre este e outros projectos, nomeadamente a Quinta das Tecedeiras. Entre vinhos, paisagens e biscoitos da Padaria Ribeiro, foi assim que acabou este final de dia e de visita maravilhoso… mas não sem antes virmos para casa com uma malga de marmelada caseira da Quinta.

E é depois de tudo isto, e desta visita, que compreendemos melhor o ecletismo dos vinhos da Quinta de Covela. Com uma ideia pré-concebida que tinhamos de um projecto de cariz comercial, ficámos a conhecer o outro lado… o da humilde, histórica e real covela.

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Quinta da Covela

S. Tomé de Covelas 4640 – 211 Baião, Portugal

www.covela.pt

COORDENADAS GPS: N41° 7′ 47.481” W7° 59′ 11.385”

Nota: Ao pesquisarmos sobre a Quinta de Covela, encontrámos o documentário de Vanessa Ribeiro RodriguesÀ Flor da Terra“, candidato ao prémio Douro Empreendedor, e foi daqui que nos surgiu a inspiração para o título ADN Covela.

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