Paço a Passo
Bebes.Comes 07/11/2021

Fitapreta Signature Series / Branco de Talha

Branco Alentejo 2019
12,5% Vol.

Os olhos veem e o coração sente.


Este Alentejo.

E a sua paisagem bucólica, que convida a passeios durante todo o ano. Ao ar livre, com um copo de vinho e uma vista deslumbrante é quanto basta.

Mas um Palácio medieval do século XIV, compõe o ramalhete do nosso deslumbramento.


Esta Tribo.

Muito já se falou de António Maçanita, distinguido como Enólogo do Ano e Produtor do Ano, entre outros prémios, é absolutamente incrível o seu percurso e trabalho desenvolvido.

With great power comes great responsibility.

Mas não está sozinho nesta sua missão de agente criador e pensador no mundo do vinho. Os seus parceiros, família e colaboradores são o terroir essencial, que partilha a mesma língua, valores e visão, mas sobretudo a alegria no trabalho.

A Herdade da Fitapreta situa-se na região do Alto Alentejo, a 10Km de Évora, no Paço do Morgado de Oliveira, um Paço medieval fundado em 1306 onde se encontra agora a adega da Fitapreta e parte das suas vinhas, numa propriedade que se estende por cerca de 100 hectares.

A recuperação do edificado da herdade está a ser feita respeitando a sua história e sempre com acompanhamento arqueológico. Numa zona ainda por reabilitar foi encontrada aquela que se acredita ser a mais antiga adega em Évora.

A aquisição da propriedade foi o resultado de alguma persistência por parte do enólogo António Maçanita, e que acabou com um entendimento que assegura, por um lado, a recuperação de um património em risco de degradação, e por outro a garantia de sucessão da família Saldanha, que detém e mantêm o edifício desde a sua instituição em 1306.

Assim, a Fitapreta adquiriu 87% do Paço da herdade, com a responsabilidade da sua recuperação e o direito ao seu usufruto exclusivo, mantendo-se a família com o restante, num testemunho de continuidade daquele foi um dos mais antigos e importantes Morgados de Portugal, o Morgado de Oliveira.


A Adega da Fitapreta é a fusão entre o antigo e o moderno, a tradição e a ousadia.


O novo edifício da adega pretende ir ao encontro das proporções do edifício original do Paço, e ao mesmo tempo encontrar a sua própria identidade, sem de todo se impor sobre o Palácio. Baixa, de janelas generosas e altas, linhas rectas e pele camuflada, é revestida a cortiça, material escolhido pela sua sustentabilidade e predominância no Alentejo.

Simbolicamente, e aproveitando a designação histórica e presente do Paço, plantaram-se oliveiras no caminho de acesso principal.

Tal como os vinhos da Fitapreta, que combinam ancestralidade e inovação, também a adega convida ao diálogo entre um palácio medieval e a arquitetura contemporânea.

É no Palácio, na Sala dos Arcos, que se encontra a adega de brancos, de talha e de cuba, de indígenas e de tintas, de vinhas velhas e vinhas novas. É também a adega de ensaios do enólogo António Maçanita onde dá liberdade às suas ideias e sonhos.

Ainda no Palácio, reservam-se todos os vinhos que estagiam em barrica de carvalho francês, distribuídos pela Sala das Colunas e Capela do Palácio.

É na nova adega, situada no edifício construído pela Fitapreta, que se encontra a produção de tintos, uma adega construída como uma visão não interventiva e sustentável, onde as massas circulam por gravidade, as fermentações são espontâneas e os vinhos “dormem” em inox ou em talha, podendo mais tarde ser enviados para a Capela do Palácio para “descansar” mais um pouco.

As vinhas novas da Fitapreta envolvem a adega e o Palácio com as castas Arinto, Baga, Tinta Miúda, entre outras. As restantes vinhas encontram-se distribuídas entre Évora, Redondo, Borba e Fronteira.

Uma destas vinhas, muito especial, a vinha do Chão dos Eremitas encontra-se no sopé da Serra d’Ossa, num local onde se faz vinha interruptamente desde o século XIV.


Visitámos a Fitapreta numa tarde quente de Agosto.


E a tribo lá estava, bem disposta, a receber-nos a nós e à uva que chegava nesse dia de vindimas.

Na Fitapreta o património vive-se de forma descontraída e cosmopolita. Numa ligação entre a natureza, a cor e a forma, a beleza da imperfeição e o palácio, deixamo-nos perder por ali algumas horas a respirar e a sonhar… passo a passo.

As notas de cores são subtis e emergem numa sensação de harmonia com um diálogo entre arquitetura e natureza. Mesmo quando o design é mínimo existe calor, e a ligação com a paisagem envolvente traz uma sensação de unidade.

A prova dos vinhos começou pela uva que chegava nesse dia, e seguiu a bom ritmo, do branco da talha até ao esboço do que será o próximo Preta Cuvée, o topo de gama da marca, acabando à mesa, com os engarrafados Tinta Carvalha, Branco Ancestral, entre outros.

Selecionámos o Branco de Talha by António Maçanita, porque de alguma forma foi o que mais nos marcou neste dia, talvez porque nunca fomos grandes apreciadores de vinho de talha.

Este primeiro Branco de Talha engarrafado, faz parte da Signature Series onde se incluem os seus vinhos mais ensaístas, ousados e experimentalistas.


“Vinho de talha (ânfora) é um vinho fermentado com leveduras indígenas de uvas de castas brancas e tintas numa talha com curtimenta. Um método que remonta à época dos romanos, onde os escritos dizem que a fermentação seria feita em bica aberta na talha. Não existem, porém, escritos que nos indiquem datas a partir de que momento se passou a fazer fermentação com curtimenta, que é a forma tradicional de vinificação conhecida até aos nossos dias.

Quando a fermentação era unicamente feita pelo método de bica aberta dava origem a vinhos mais claros. Hoje, com a curtimenta, a maceração das películas e mosto dão origem a um estilo de vinho de talha mais estruturado e alaranjado no caso dos brancos, e mais concentrados na cor e taninos, nos tintos. O vinho de talha português mais conhecido vem da região do Alentejo.”


Era geralmente no dia de São Martinho que se abriam as talhas e se provava o vinho do ano. Num ensaio de recuperação desta técnica em desaparecimento e na busca de maior complexidade e identidade regional, produziu-se na Fitapreta este Branco de Talha com a sua estreia em 2010 a partir de vinhas velhas, com as castas Roupeiro e Antão Vaz, fermentado em talha a baixa temperatura.

Uma vez que, com base na metodologia antiga, alguns procedimentos eram para o enólogo um contra-senso com a enologia actual, são usadas simultaneamente as técnicas de esmagamento/prensagem que defende, em talha pesgada mas sem curtimenta, apenas fermentando o mosto.

Este Branco de Talha by António Maçanita, é um branco sério que nos cativou, marcado pela talha q.b., assentando primeiro na fruta e frescura das castas, com uma segunda dimensão mais complexa dominada pelas notas terrosas.

O aroma é um pouco tenso e fechado, profundo, mineral, de substâncias resinosas, herbáceas e balsâmicas. Na boca, é elegante, cheio de carácter e frescura.

Um vinho que nos espanta gerar pouco “frisson“, do qual pouco ouvimos falar, mas os gostos são assim… pessoais. Passa a figurar das nossas escolhas, pela sua acidez, frescura e complexidade singular, para beber agora ou guardar. Perfeito à mesa, acompanhou um Carpaccio de Rosbife com salada verde e espargos brancos.

INFORMAÇÃO TÉCNICA:

Notas de Prova
Cor: amarelo dourado
Aroma: notas de mel, resinosas, terrosas e minerais
Sabor: boa textura, frescura e acidez
Final de Prova: persistente

Castas
Roupeiro (70%) e Antão Vaz (30%)

Enologia
António Maçanita e Sandra Sárria

Produtor
Fitapreta Vinhos

Preço: 19,90€


Fitapreta

Paço do Morgado de Oliveira, EM527 KM10, 7000-016 Évora, Portugal

www.antoniomacanita.com

COORDENADAS GPS: N 38° 38′ 43.24” W 7° 57′ 14.229”

Nota: Garrafa #1958/4170.

A Fitapreta oferece vários programas para explorar a região.

No perímetro da propriedade, o visitante pode percorrer trilhos a pé, a cavalo, ou de bicicleta. O antigo ramal ferroviário agora convertido em Ecopista liga a cidade de Évora à Fitapreta, proporcionando uma bela caminhada ou pedalada de pouco mais de 10 km.

Para quem prefira voar, os passeios em balão de ar quente partem da Fitapreta e sobrevoam a deslumbrante paisagem eborense, ao sabor do vento.

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